O gênero Bifrenaria Lindl

John Lindley  denominou este gênero, incluindo o gênero Stenocoryne.
O nome Bifrenaria deriva do latim bi e frenum que significa duas tiras, referindo-se aos dois caudículos unindo o polén.
Stenocoryne é uma palavra composta grega que quer significa uma planta delicada.
Existem  cerca de vinte e cinco espécies atribuídas à América do sul, a maioria ao Brasil.
Aqui em nossa região, encontramos a Bifrenária inodora Lindl. :

A etimologia da palavra latina  inodora quer dizer sem aroma, e foi assim denominada  por John Lindley em 1839 com base em uma planta enviada do Rio de Janeiro; em 1882 Barbosa Rodrigues denominou uma planta semelhante de Bifrenaria fragrans e soube mais tarde que  tratava-se da bifrenaria inodora.

A bifrenaria inodora tem seu habitat em árvores antigas de grande porte, onde habita a zona de meia altura, que é o meio caminho acima do tronco principal até o redor dos galhos principais, a 15 ou 20 metros a partir do chão da floresta, onde recebem luz  solar  filtrada, umidade estável , temperatura e ar em menor movimento nesta zona os galhos são mais grossos e as plataformas para ancorar as raízes são estáveis

É nesta região onde são encontradas as maiores concentrações de desenvolvimento de epífitas e em particular das bromélias, que são vitais para a estabilização da camada de umidade onde diversos gêneros tais como Encyclia, Epidendrum, Laelia, Cattleya  Pleurothallis, Octomeria , Stelis, Bifrenaria Miltonia, Scuticaria, Dichaea( a orquídea samambaia),Oncidium, Miltonia e muitas outras, formam exuberantes colônias maciças ,onde coabitam com outras não menos exuberantes espécies de epífitas .

A planta é uma epífita ( as vezes litófila) de médio porte; os pseudobulbos tem crescimento alternado , são um cone de quatro lados , geralmente enrugado , verde escuro ( quando à sombra) e normalmente amarelo-claro ( quando mais exposto ao sol), de 5 cm de comprimento por 4 cm de largura e suportadas em rizomas curtos ,espessos rígidos e ramificados , apresentando uma folha apical única verde escura por bulbo,  de 20 cm de comprimento por 7 cm de largura , de vida longa, tesa, levemente quilhada, tendendo a ser plicada , suportada por um falso pecíolo de 1 cm de comprimento e elíptico . O sistema radicular (suas raízes) , muito forte , extenso , potente , é composto por inúmeras raízes brancas e espessas que emergem do novo broto , penetram profundamente o substrato .

Suas inflorescências e floração : uma inflorescência curta  porta um racemo de até 4 flores da base do mais recente pseudobulbo; as pétalas e as sépalas são verde oliva por dentro e por fora, a sépala dorsal tem em média 3cm de comprimento por 2 cm de largura e é largamente lanceolada; as sépalas laterais são levemente assimétricas , mas tem o mesmo formato e são fusadas na base formando um queixo medindo 3,8cm por 1,8cm de largura; o labelo  trilobulado é de cor magenta , piloso, tem 3,8 cm de comprimento, por 2,9 de largura em seus lóbulos laterais ; um calo como um nariz se estende da garganta por metade do comprimento do labelo.

Existe uma forma alba que tem a mesma descrição da forma Tipo(padrão) só que tem as pétalas e as sépalas de uma cor verde clara e o labelo é de uma cor branco  com ligeiras riscas lilases em seus lóbulos, conforme a flor vai envelhecendo ela adquiri uma tonalidade amarelo-esverdeada ;  floresce na primavera suas flores duram de 2 a 4 semanas .

Seu polinizador é desconhecido, mas provavelmente será um coleóptero ( mariposa) noturno ou morcego .

Cultiva-se esta planta colocando-a em vasos de barro de baixa altura ( máximo de 5 cm) com vários furos laterais ou em cachepôs de madeira dura tendo como substrato casca de peroba ou “chips” de fibra de coco verde secas e sem a seiva (pois a mesma queima as pontas das raízes); pendurá-las sob árvores com médio sombreamento e boa claridade , com regas abundantes no verão ( sempre regar no final do dia) e mais espaçadas no inverno ( sempre pela manhã)

Os “chips de fibra de coco podem ser adquiridas em floriculturas e casas do ramo, mas também podem ser feitas em casa, basta pegar um coco verde, retirar toda a polpa do fruto, fraciona-lo com golpes de facão ou machete/machadinha e colocar ao sol para secar; a seguir deixar em um balde com água ( que deverá ser trocada todo dia por um período de no mínimo 10 dias).

Cumprida esta etapa, deixar novamente secar a sol pleno por mais 3 dias, a fibra estará pronta para o uso; o inconveniente dela é que assim como ela se umidifica muito rápido, também seca rápido e dura no máximo 2 anos( o ideal é trocá-la uma vez ao ano)

Quanto a adubação recomenda-se usar NPK 10-10-10 uma vez a cada mês no período de dormência, quando a planta começar a brotar, usar uma vez a cada 15 dias  o NPK 30-10-10 , sendo que , quando o novo bulbo estiver maduro suspendemos a adubação por 60 dias ( 2 meses) para depois iniciarmos a adubá-la com o NPK 10-20-10 uma vez por semana até o início da floração, e parar quando os botões estiverem se formando.

Uma breve historinha : Uns 8 ou 9 anos atrás , após um tremendo vendaval que durou 3 dias (conhecido como vento noroeste) , fui caminhar até o Poço verde e no caminho me deparei com um galho que estava submerso e ví um pedaço de uma folha de uma pequena Bifrenaria; parte da planta estava esmagada , mas consegui aproveitar 2 bulbos da planta que estavam perfeitos e a levei para casa, após 2 anos veio a inflorescência e com ela a surpresa de ver não uma planta comum , mas sim a rara forma alba desta planta, hoje a mesma tem 5 frentes que florescem abundantemente  todo ano e a planta só faz ficar maior!

Uma bela recompensa por ter dado atenção a uma simples folha submersa ( para aqueles que acreditam na Deusa ) e recolhido e assim evitado a morte um ser vivo que graciosamente me recompensou com suas belíssimas flores!