Coleção e Cultivo de Orquídeas

Porquê colecionamos orquídeas?

Cattleya walkeriana (col. do autor)
Cattleya walkeriana (col. do autor)

Porque uma das características do Ser Humano é a de amealhar coisas; aqueles que o fazem com critério, procurando identificar, catalogar e estudar a origem dos exemplares, tornam-se conhecidos como colecionadores.

O colecionador de orquídeas é o Orquidófilo (do grego FILOS = colecionador), e aqueles que as estudam, classificam e reclassificam são os Orquidólogos (do Grego LOGOS = estudar).

Mas exatamente porque nos dedicamos a colecionar orquídeas?

Colecionamos orquídeas, pois elas são como a vida, com seus altos e baixos; apresentam dificuldades e desafios que devem ser vencidos (e aqueles que perdemos, tirarmos proveito dessas derrotas e saber transforma-las em vitórias, pois é nisto que reside o Saber Humano: persistir até obter o Sucesso, e saber reconhecer o Fracasso, e novamente Lutar até obter a Vitória).

Colecionamos orquídeas pelo mesmo motivo que outros colecionam selos, moedas, obras de arte, carros antigos, etc.
Existem aqueles que juntam coisas apenas pôr juntar (são pessoas que em nada contribuem para o desenvolvimento da atividade); já outros procuram dessa forma, dar um sentido de Ordem ao Caos da vida moderna. São pessoas que investem na melhoria da qualidade de vida, procurando assim, uma forma de combater o STRESS da vida moderna, criando para si um passatempo (hobby) útil e instrutivo, trabalhando o seu lado físico e mental.

Colecionamos orquídeas pela sua incrível diversidade de formas (estranhas umas belas em outras), perfumes (agradáveis em sua maioria e desagradáveis em outras), cores (lindas e de como elas se harmonizam entre si), no tamanho das flores e plantas (a grande maioria é pequena, outras são minúsculas, outras médias, e algumas poucas verdadeiramente gigantescas), assim como existem plantas que adultas e floridas têm menos de 1cm. De altura (gênero Barbosela) existem verdadeiros gigantes de vários metros de altura, que produzem hastes florais com centenas de flores de grande porte (gênero Grammatophillum).

Assim como a grande maioria das orquídeas só tem interesse científico, muitas outras, porém presta-se a ornamentação; já alguma, presta-se a construção (gênero Arundina) de sebes na Ásia, de outras extraísse cola (gêneros Catasetum e Cyrtopodium), outras servem como alimento (a baunilha é extraída do gênero Vanilla).

Existem ainda orquídeas cuja floração dura apenas um dia (gênero Sobralia), outras podem durar meses (gênero Phalaenopsis).
Ao escrever as linhas acima, lembrei-me de uma frase que li há muito tempo, em algum lugar: “é nas rochas que a alma dorme, nas plantas a alma vegeta, nos animais ela corre e nos seres humanos ela vive!”.

Com efeito, meditando um pouco sobre estas sábias palavras, concluímos que: se nas rochas ela dorme, ela nada faz; se nas plantas ela vegeta, ela mostra sua beleza através de suas flores e frutos, é nos animais que esta alma mostra a alegria de poder correr e pular, pois é livre, mas é nos seres humanos que esta alma atingiu a perfeição e tornou-se a mais bela de todas, pois é o sentido do belo e perfeito que norteia as nossas vidas e as orquídeas são realmente as mais belas manifestações florais que o TODO PODEROSO brinda a aqueles que sabem ver com os olhos da Alma!
Como inicial e ampliar nossa coleção?

Tanto o início como a ampliação de uma coleção, estão ligados a um único fator gerador: a procura pôr novos exemplares.
Podemos encontrá-los com outros colecionadores que queiram trocar ou vender exemplares, com produtores de orquídeas, em associações orquidófilas, etc.

O que colecionar?

Quando começamos uma coleção, ela tende a ser o mais genérica possível, ou seja, colecionamos tudo o que nos cair nas mãos (esta é uma fase onde nós teremos um maior ou menor gasto de dinheiro, adquirindo plantas sem expressão).

Passada esta fase, iremos nos refinando e escolhendo as espécies que mais nos agradam, começamos a nos especializar de acordo com aquilo que nos despertou um maior interesse durante a fase genérica.

Normalmente as pessoas tendem a colecionar Cattleyas ou Laelias, mas existem aqueles que se especializam em Catasetum, Pleurothallis, Maxillarias, Oncidium, etc.

Do Cultivo

Vasos e Suportes: No mercado existem vários tipos de vasos: barro, plástico, xaxim, coxim (fibra de coco) etc; o vaso ideal não deve ser muito grande, o ideal é um vaso de barro baixo com furos na lateral e fundo, para obter-se um bom arejamento.

Substratos: O melhor é o xaxim desfibrado (não o pó, pois este prejudica a aeração, chegando até a impermeabilização, sendo este o mais encontrado no mercado); placas de xaxim são ideais para plantas que crescem verticalmente. Como o xaxim encontra-se em vias de extinção, substratos alternativos têm sido usados, tais como: estagno (musgo branco), cascas de árvores (peroba, pinus), fibras de coco e piaçava, carvão vegetal, isopor, argila expandida, brita entre outros.

Plantando: O pseudobulbo mais velho deve ficar junto à parede do vaso, crescendo assim no sentido oposto pôr alguns anos, devendo ter como espaço até a parede oposta 2ou 3 dedos, pois a cada ano brota um bulbo na parte da frente da planta; o fundo do vaso deve ser preenchido com cacos cerâmicos (telhas, vasos) em aproximadamente 1/3, permitindo assim uma boa drenagem, pois as orquídeas não gostam de excesso de água, e nunca aperte demasiadamente o substrato, pois as raízes necessitam de bom arejamento; ao plantar as mudas, devem-se ampara-las com um tutor (estaca de madeira ou bambu), facilitando o enraizamento e porte ereto.

Divisão: Ao dividir uma planta adulta, deve-se fazê-la de modo que fiquem no mínimo 4 pseudobulbos em cada muda; eliminar as raízes velhas e/ou mortas. A melhor época para dividir as mudas é quando as plantas estão iniciando a brotação e produção de novas raízes, o que em geral ocorre de 2 ou 3 meses após a floração.

As Regas: Não se deve molhar em demasia as orquídeas, de um modo geral são plantas que toleram mais a estiagem do que a rega constante. Deve-se regar apenas quando o substrato estiver seco. Como descobrir se está seco?
Coloque o dedo no substrato e sentirá se está úmido ou não, se estiver seco, regue até escorrer; mas lembre-se: EXCESSO DE ÁGUA MATA!

Adubação: De modo geral as orquídeas são plantas pouco exigentes em nutrientes; os adubos mais utilizados são: Químico – freqüentemente utilizados, são solúveis em água, tais como NPK 30-10-10, NPK 10-10-10, PETER, OURO VERDE etc., que são aplicados através de pulverizações foliares a cada 15 dias. Suspender as aplicações no inverno; o preparo da solução deve seguir as instruções dos fabricantes e aplicar somente ao entardecer.

Luminosidade: Podemos obter um sombreamento adequado mantendo os vasos sob a copa das arvores. O sombreamento também poderá ser obtido através da construção de um ripado, que deverá Ter uma altura mínima de 2,5m de altura na cumeeira, com estrutura básica de caibros de peroba ou concreta. As ripas devem ficar posicionadas na direção norte-sul e o vão entre elas deve ter entre 3 a 5 cm.
O local de construção deve ser bastante ensolarado e arejado, mas livre de ventos canalizados. No caso do telado (sombrite), as ripas devem ficar entre 1,5 a 2,0 m, apenas para fixar a tela. A tela indicada deve ficar entre 50% a 70 % de sombreamento, de uso agrícola e de coloração preta. As laterais do abrigo podem ser cobertas com ripas no sentido vertical, tela ou alvenaria, deixando sempre espaço para ventilação.

Pragas e Doenças: As plantas bem cultivadas, com bom arejamento boas iluminação, umidade ideal e de adubação correta, raramente estarão sujeitas às pragas e doenças.
O mau arejamento e iluminação incorreta levam ao aparecimento de pulgões e cochonilhas (que têm aparência de um pó branco ou de algodão) pode ser eliminado pôr catação manual ou com uso de uma escova de dente macia. Os pulgões devem ser combatidos com caldo de fumo (receita abaixo). As plantas encharcadas propiciam o ataque de fungos e bactérias, causando manchas nas folhas ou o apodrecimento dos brotos (podridão negra). Neste caso, corte e queime as partes afetadas, isole a planta, suspenda as regas e polvilhe canela em pó. No comércio existem diversos tipos de inseticidas, fungicidas, bactericidas que requerem cuidados especiais, pois são tóxicos ao homem e aos animais.
Deixamos aqui a receita da calda de fumo que é inofensivo e de fácil preparo: numa vasilha ferva1 litro de água com 100g de fumo em corda picado e em outra vasilha ferva 1 litro de água, e mais ½ litro de querosene, adicione ¼ de sabão de coco em pedra; quando o sabão derreter totalmente, misture as duas soluções coando em seguida. Está preparada a base da receita. Pegue duas colheres de sopa desta solução e coloque em 5 litros de água, borrifando nas plantas, em especial naquelas que estão infectadas. Pulverize regularmente em todas as plantas prevenindo-as de pragas e doenças.

Dicas de Cultivo

Ninguém pode negar que as condições do ambiente e os erros culturais influem mais ou menos profundamente na vida e no bem-estar de uma planta, de acordo com a intensidade da influência destes erros e fatores.
É, porém preciso saber que o grau de reação da planta a esses fatores exteriores depende também muito da sua constituição ou predisposição interna, que varia de indivíduo para indivíduo. Não será preciso salientar que essa constituição interna aumenta ou diminui em maior ou menor grau os perigos provenientes para as plantas dos seus inúmeros animais e vegetais, criando uma predisposição para seus ataques.

Eis os fatores nocivos mais comuns:

Alimentação imprópria: Devido à inadequada composição ou ao mau estado do substrato, ou pelo transplante atrasado, ou ainda pôr uma má adubação, que influem desvantajosamente na constituição exterior e interior das plantas, diminuindo sua resistência.

Excessiva umidade: Que põe as raízes em perigo visto que a água, expelindo o ar dos poros do substrato, faz com que o composto fique saturado, impedindo o bom arejamento. As raízes apodrecem e ficam expostas ao ataque de lesmas, caramujos e tripes, que as comem.

Água calcária: É nociva à maioria das orquídeas, principalmente pela alteração do pH, que causa.

Falta de umidade atmosférica: Especialmente no período de vegetação mais ativa, tem como conseqüência à interrupção do crescimento ou o atrofiamento dos brotos bem como sua deformação; além disso, favorece o surgimento de tripes e da aranha vermelha.

Excessiva umidade atmosférica: Favorece o aparecimento de zonas corticais, nas folhas podendo tornar-se tão extensas que comprometem o desempenho das funções fisiológicas da folha, que simultaneamente com a baixa temperatura favorece o ataque de doenças.

Excessiva iluminação: Dificulta a função clorofílica, destroem a clorofila e causa o amarelecimento e enrugamento das folhas e pseudobulbos; os brotos novos endurecem e param o crescimento, e freqüentemente aparecem queimaduras mais ou menos graves, que servem de porta de entrada para viroses e doenças fúngicas.

Falta de luz: As plantas enfraquecem, a formação dos tecidos lenhosos prossegue com muito custo, a floração diminui e a planta toda se torna predisposta a inúmeras doenças fúngicas.

Arejamento insuficiente: Favorece a expansão dos fungos, pois o grau de umidade sobe em excesso, o que ocasiona os males citados acima.

Correntes de ar: Abaixam a temperatura e destroem mecanicamente o tecido foliar e predispõem as plantas ao ataque de fungos e viroses. As plantas contraem verdadeiros resfriados que alteram sua saúde tão profundamente que morrem paulatinamente ou precisam de anos para se restabelecer.

Oscilações bruscas de temperatura: Causam a paralisação do crescimento ou atrofiamento dos órgãos novos em via de formação; elas modificam ainda a constituição interna da planta, tornando-as sensíveis a irrupção de doenças fúngicas; combinadas com as correntes de ar, as oscilações bruscas de temperatura causam a morte de inúmeras plantas, sem que se conheçam, geralmente, as causas.

Falta de limpeza e água sujas: Estes dois fatores são os principais responsáveis pelo aparecimento das mais diversas bactérias de podridão e dos tatuzinhos, miriápodes, baratas, lesmas, caramujos, etc.

Fumaças: No geral elas exercem uma função corrosiva nos órgãos vegetais.